Pesca com girico e tanajura: guia da isca natural sazonal brasileira

Aprenda a pescar durante a revoada de girico e tanajura. Identificação da época, coleta, conservação e técnica de superfície para piau e piapara.

Peixe fisgado com minhoca presa ao anzol

O que é Pesca com girico e tanajura?

Girico e tanajura (também chamadas de içá em algumas regiões) são formigas aladas, principalmente saúva (Atta spp.) e quenquém (Acromyrmex spp.), que saem em revoada reprodutiva geralmente entre outubro e março, nos primeiros dias chuvosos depois do período seco. É um fenômeno natural espetacular: milhares de formigas aladas emergem do formigueiro para acasalar, muitas caem na água, e os peixes entram em frenesi alimentar aproveitando a abundância temporária de proteína. Durante a revoada, os peixes ignoram praticamente tudo que não seja girico: quem tem a isca na mão pega peixe fácil enquanto as artificiais não funcionam. A técnica é simples: girico vivo ou recém-morto num anzol pequeno, com boia ou flutuando livre na superfície, em rios, lagos e represas onde a revoada esteja acontecendo. As espécies que mais respondem são piau, piapara, curimba, lambari e piracanjuba, e até predadores como dourado e traíra atacam durante o frenesi.

Por que usar esta técnica?

  • Isca natural sazonal, com revoada de outubro a março
  • Extremamente produtiva durante o fenômeno
  • Coleta gratuita e manual
  • Os peixes entram em frenesi e ignoram outras iscas
  • Técnica simples de superfície
  • Tradição cultural ribeirinha

Equipamentos necessários

Vara e carretilha/molinete

  • Vara: 2,10m a 3,60m, ação leve a média, ponta sensível
  • Molinete: Molinete 1000-2500, leve e suave
  • Observação: Equipamento leve, porque os peixes costumam ser pequenos ou médios

Recomendação: Equipamento leve é o ideal. Vara sensível que detecta os toques delicados de lambari, piau e piapara, molinete suave com drag leve para não romper os lábios finos desses peixes, e linha fina que não assusta na superfície clara. Um conjunto ultraleve ou leve resolve bem. A isca faz todo o trabalho.

Linhas e terminal

  • Linha principal: Monofilamento 0,20-0,30mm (6-12lb), fina e discreta
  • Líder: Opcional: fluorcarbono 0,25mm se a água estiver muito clara
  • Anzóis: Pequenos e finos #10-16 (o girico é delicado, anzol grande mata)
  • Boias: Boia pequena cevadeira 5-15g ou pesca sem boia
  • Chumbos: Micro chumbo 0,5-2g só para afundar (opcional)
  • Recipiente: Pote ou garrafa para coletar giricos na revoada

Melhores equipamentos para a técnica

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Passo a passo

Como executar a técnica

  1. 01

    Identifique a revoada

    A época é de outubro a março (primavera e verão) em dias chuvosos depois de período seco. O horário costuma ser final de tarde ou noite (17h-21h) quando escurece e a temperatura cai. Os sinais são estes: formigueiro grande com movimento intenso na boca, clima abafado antes da chuva e as primeiras gotas, porque a revoada começa em minutos. Procure formigueiros de saúva (grandes, de terra vermelha) perto de rios e lagos. Acompanhe a previsão do tempo, porque a primeira chuva depois de 7 a 10 dias secos aumenta muito a probabilidade. Pescadores experientes sentem o dia da revoada.

  2. 02

    Colete os giricos

    Quando a revoada começa (milhares de formigas aladas saindo), você tem algumas opções: coleta manual pegando os giricos no chão ou em paredes antes de voarem (é a mais fácil), captura no ar com rede de pano ou peneira, ou coleta na água onde eles já caíram (direto no local onde os peixes comem). Colete uns 50 a 100 ou mais. Quanto mais, melhor, porque eles duram meses congelados. Armazene imediatamente em pote plástico furado para respiração (se vivos) ou garrafa (se mortos). Cuidado, porque o girico morde forte: segure pela cabeça ou pelo tórax, nunca pelas mandíbulas. Uma luva ajuda se você for sensível.

  3. 03

    Conserve o estoque

    Curto prazo (1-2 dias): pote com giricos vivos, temperatura ambiente ou porta da geladeira, com ventilação mínima. Eles morrem aos poucos mas mantêm o frescor. Longo prazo (meses): congelamento é o segredo. Coloque os giricos em saco plástico pequeno (porções de 20-30), retire o ar e congele. Dura 3-6 meses. Para usar, descongele a porção 15-20 minutos antes de pescar (temperatura ambiente). O girico descongelado funciona bem, porque o cheiro e a forma se mantêm.

  4. 04

    Empate o girico no anzol

    Use anzol pequeno e fino #12-16 (o girico é delicado). Enfie o anzol pela cabeça (região dura atrás dos olhos) saindo pelo tórax (antes das asas). O girico fica pendurado de forma natural, com as asas livres, e é esse movimento que atrai. Uma alternativa é o empate lateral, atravessando o tórax: segura mais, mas fica menos natural. Cuidado para não apertar, porque o girico é frágil e estoura. Com boia, use uma pequena de 5-10g com o girico 20-30cm abaixo da superfície. Sem boia, o girico fica flutuando livre, e essa costuma ser a forma mais natural e produtiva.

  5. 05

    Pesque na superfície

    Procure as áreas onde os giricos caem naturalmente: embaixo de árvores, nas margens, na corrente lenta e nos poços. A técnica sem boia é geralmente a melhor: arremesse o girico com delicadeza e deixe flutuar livre na superfície, derivando com a correnteza. Não trabalhe a isca: deixe o girico parado ou se movendo sozinho. O toque costuma ser sutil, porque o peixe chupa o girico. Espere 1-2 segundos e fisgue suave. Com boia, observe afundar ou deitar, espere 2-3 segundos e fisgue. Durante a revoada ativa o rendimento é máximo, mas girico congelado funciona semanas depois.

  6. 06

    Planeje o ano

    A pesca com girico é sazonal e não está disponível o ano todo, então se planeje. De outubro a março vêm as revoadas, na primavera e no verão chuvosos, e as primeiras chuvas depois do período seco são as melhores. Colete bastante durante as revoadas e congele: com isso você fica com estoque para 6 meses. Pesque durante a revoada ativa, quando os peixes ficam loucos, e guarde o congelado para fora de época, quando as outras iscas falharem. Na cultura ribeirinha a primeira revoada do ano é quase uma festa, e todo mundo vai pescar.

▶️Veja a técnica na prática

Quando e onde usar

Condições ideais

  • Durante a revoada ativa, quando o rendimento é máximo
  • Primeiros dias chuvosos de outubro a março
  • Fim de tarde ou noite (17h-21h)
  • Rios, lagos e represas com formigueiros próximos
  • Poços, remansos e corrente lenta, onde os giricos se acumulam
  • Sob árvores e margens onde os giricos caem
  • Água levemente turva depois da chuva, com os peixes ativos
  • Temperatura de 22-30°C
  • Imediatamente depois da chuva leve
  • Áreas com concentração de peixes comedores de superfície

Não recomendado para

  • Fora da época sazonal, sem girico congelado
  • Águas muito agitadas, em que o girico não flutua de forma natural
  • Durante chuva forte, quando os peixes não se alimentam bem
  • Água muito fria, abaixo de 18°C
  • Locais sem histórico de revoada nas proximidades
  • Quando os giricos estão em má condição (podres)

Variações da técnica

Girico na meia-água

Em vez de superfície, use micro chumbo de 1g para levar o girico 30-50cm abaixo. Deriva em meia-água. Funciona quando os peixes não sobem, com sol alto ou muita pressão de pesca. Piau, piapara e curimba de meia-água aceitam bem.

Girico mais lambari vivo

É uma técnica mais avançada: use o girico para pegar lambari na superfície, mantenha os lambaris vivos e use eles para tirar predador, como traíra e dourado. Funciona em cascata, girico para lambari e lambari para predador, e você aproveita a revoada inteira.

Ceva de giricos

Durante a revoada, colete 200 giricos ou mais e solte 50 a 100 na água numa área específica, criando uma ceva viva. Os peixes se concentram ali em frenesi e você pesca no meio da zona. Costuma ser coletivo: cada pescador entra com giricos para a ceva comum.

Artificial imitando girico

Fora da revoada existem imitações artificiais, como as de espuma e as de pernas de borracha. Elas não substituem o girico de verdade, mas quebram o galho quando o congelado acabou. A pesca com mosca usa muito essas imitações.

Segredos dos especialistas

💎Colete antes da revoada

É uma técnica mais avançada. Um ou dois dias antes da revoada prevista, com clima abafado e chuva anunciada, escave de leve a boca de um formigueiro, uns 10 a 15cm. Os giricos estão logo abaixo, esperando, e dá para coletar 50 a 100 antes da revoada acontecer. Não destrua o formigueiro, porque uma escavação mínima já resolve.

💎Conserve em salmoura

Se não quiser congelar, guarde os giricos num vidro com salmoura, uma xícara de sal por litro de água fervida e já fria. Eles duram 2 a 3 meses em temperatura ambiente e ficam duros, mas mantêm o formato e o cheiro. É um método ribeirinho antigo, de antes das geladeiras. Enxágue antes de usar para tirar o excesso de sal.

💎Leia o toque de cada espécie

Lambari: toques múltiplos rápidos (belisca). Piau, piapara e curimba: chupada firme única (engole). Piracanjuba: peso sólido súbito. Traíra e dourado, que são oportunistas, dão um ataque violento, mais raro, mas que acontece no frenesi. Reconhecer a espécie pelo toque ajuda você a acertar a hora de fisgar.

💎Organize o estoque

Organize o freezer com saquinhos etiquetados com a data da coleta, porque o girico mais fresco rende mais, e gaste primeiro os mais antigos. A etiqueta pode ser simples: 'Girico 15/Out/2024, Rio Verde, 30 unidades'. É pouco trabalho e evita desperdício.

💎Aproveite os dias seguintes

Durante a revoada o rendimento é máximo, no frenesi. Nas 1 a 3 horas seguintes ainda é muito bom, com os peixes ativos. No dia seguinte rende bem, porque a memória é recente. De 2 a 7 dias depois o congelado ainda funciona, e semanas depois ele serve de reserva para quando nada mais estiver rendendo.

💎Monte uma rede de avisos

Monte um grupo de WhatsApp regional, tipo 'Alerta Revoada'. Cada um avisa o começo das revoadas na hora, com local e intensidade, e todo mundo ganha com isso. Com 20 a 30 pescadores cobrindo a região, você não perde nenhuma revoada.

Pontos-chave para memorizar

📅
Fenômeno sazonal
Revoada de outubro a março, nas primeiras chuvas. Planeje e não perca
❄️
Coleta e congelamento
Colete 100 ou mais na revoada e congele em porções, para ter estoque de 6 meses
🎣
Superfície natural
Deixe o girico derivar livre, porque simples é o que rende aqui
Frenesi alimentar
Durante a revoada, os peixes ignoram tudo menos girico
A pesca com girico é uma das tradições mais autênticas que temos por aqui: você espera a revoada das formigas aladas e cai dentro de um frenesi em que os peixes ignoram tudo que não seja girico. O segredo é antecipar o dia (primeira chuva forte depois do período seco, entre outubro e março, no fim de tarde), coletar bastante durante a revoada (o lençol iluminado rende centenas), congelar em porções para ter estoque o ano todo e pescar com o mínimo de técnica, deixando o girico derivar livre na superfície, sem trabalhar a isca. É uma pescaria comunitária e de raiz, em que vale tanto o peixe quanto estar ali no dia. Se você tem rio ou lago com formigueiro de saúva ou quenquém por perto, vale se organizar para não perder a próxima.

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IB

Equipe iscabox

Guia compilado com base em técnicas estabelecidas, informações de pescadores experientes e conhecimento disponível publicamente sobre pesca esportiva.

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📅 Atualizado em 7 de setembro de 2026

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