
Pirá-tamanduá
Conorhynchos conirostris
Saiba tudo sobre o peixe Pirá-tamanduá
O pirá-tamanduá é um bagre azulado de focinho cônico que só existe na bacia do rio São Francisco. É um dos maiores peixes do Velho Chico, está na lista nacional de espécies ameaçadas como Em Perigo e tem a captura proibida no Brasil. Aqui você aprende a reconhecer a espécie, entende onde ela vive e o que fazer se fisgar uma sem querer.
O que é o peixe Pirá-tamanduá?
O pirá-tamanduá (conorhynchos conirostris), conhecido no Velho Chico apenas como pirá, é endêmico da bacia do rio São Francisco e não existe em nenhum outro rio do planeta. Mede de 40 a 70 cm. Está na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas e a captura é proibida no Brasil.
A captura do pirá-tamanduá é proibida no Brasil
O pirá-tamanduá (Conorhynchos conirostris) está na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção como Em Perigo (EN), pela Portaria MMA n.º 148/2022. Espécies nessa lista têm proteção integral: é vedado capturar, transportar, manter a bordo, guardar, beneficiar e comercializar. Não existe cota, tamanho mínimo nem período liberado. Se você fisgar um pirá por acidente, solte-o vivo na hora, de preferência sem tirar da água, cortando a linha rente ao anzol se for preciso. Como a espécie é migradora e ninguém sabe ainda onde ela desova, cada exemplar devolvido vivo faz diferença.
O que é o peixe Pirá-tamanduá?
O pirá-tamanduá (conorhynchos conirostris), conhecido em boa parte do Velho Chico simplesmente como pirá, é um dos peixes mais curiosos do Brasil. Ele é o único representante do gênero Conorhynchos e é endêmico da bacia do rio São Francisco, ou seja, não existe em nenhum outro rio do planeta. Reconhecer é fácil: o dorso tem um azul-acinzentado brilhante que puxa para o metálico, a barriga é esbranquiçada e o focinho é longo, cônico e virado para baixo, com uma boca pequena e tubular na ponta. É essa cara de tamanduá que dá nome ao peixe. Chega perto de 1 metro e 13 quilos, o que o coloca entre os maiores peixes da bacia. É migrador, sobe o rio na época das águas, e até hoje ninguém sabe onde ele desova nem onde ficam os berçários dos filhotes, um dos maiores mistérios da ictiofauna brasileira. Justamente por ser raro, restrito a um único rio e alvo histórico da pesca de rede, o pirá entrou na lista nacional de espécies ameaçadas e hoje tem a captura proibida. Se você pesca no São Francisco, vale conhecer bem o bicho para não confundir com mandi ou bagre comum e devolver na hora se fisgar um.
Nome científico
Conorhynchos conirostris
Tamanho
40 a 70 cm (até 1 m)
Peso
2 a 6 kg (até 13 kg)
Habitat
Calha e afluentes do rio São Francisco
Situação
Captura proibida o ano todo
Conservação
Em Perigo (Portaria MMA 148/2022)
Onde vive o peixe Pirá-tamanduá: rio ou mar
- Calha do rio São Francisco: vive no leito do rio principal, em poços fundos e trechos de correnteza com fundo de areia e cascalho
- Médio São Francisco: hoje é mais comum no trecho entre a barragem de Três Marias e o reservatório de Sobradinho, passando por Pirapora, Buritizeiro, São Romão, Januária e Manga
- Rio das Velhas e rio Cipó: afluentes mineiros historicamente ligados à espécie, com o pirá aparecendo principalmente no curso baixo do Velhas, perto da foz no São Francisco
- Rio Paracatu: estudo recente aponta o Paracatu como um dos principais refúgios atuais da espécie
- Rio Urucuia: outro afluente do médio São Francisco onde a ocorrência é documentada
- Alto e baixo São Francisco: era comum na primeira metade do século 20 e hoje é raro. No baixo curso ficou sem registro por décadas e voltou a aparecer em 2020
- Fundo do rio: peixe de hábito bentônico, quase sempre junto ao substrato. Diferente dos outros migradores da bacia, não usa lagoas marginais como berçário
O que o peixe Pirá-tamanduá come
- Invertebrados do fundo: a base da alimentação são pequenos organismos que vivem enterrados no substrato
- Pequenos crustáceos: camarões miúdos e outros crustáceos de fundo
- Moluscos: pequenos caramujos e bivalves retirados da lama
- Larvas de insetos aquáticos: item frequente em trechos de fundo arenoso
- Como ele come: o focinho cônico funciona como uma sonda. O peixe fuça o fundo e usa a boca pequena e tubular para sugar a presa da lama, o mesmo princípio do tamanduá que dá nome à espécie
- O que isso significa na prática: não é um predador de peixes, então dificilmente ataca isca artificial. As capturas acidentais quase sempre acontecem com isca natural apresentada no fundo
Perguntas frequentes sobre o peixe Pirá-tamanduá
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